Reminiscências Release 1.2
Márcio era um amigo de serviço e durante
os bate-papos de hora de almoço e as paradas eventuais para um "último
cigarro" nos relatava que estava sentindo uma dificuldade enorme para
parar de fumar. Nos contava que acordava tremendo e sentia uma necessidade
incontrolável de fumar mais um. O
cigarro fazia parte do cotidiano de Márcio, muito embora ele estivesse
determinado a quebrar esta simbiose-sádico-imposta.
Neologismo é o processo de criação de
novas palavras. Criei essa: -
SSI (Simbiose-Sádico-Imposta).
1 –
SSI é mutante.
Possui um gene
lingüístico que a partir do momento em
que a gente percebe que o ato de fumar retira mais do que doa ele se ativa e
SSI transforma-se em PSI (Parasitose-Sádico-Imposta).
2 – SSI é sádica.
Pois, a parte envolvida
sofre conseqüências ruins (o hospedeiro tem muitas chances de morrer de alguma
enfermidade relacionada ao ato de fumar), mesmo assim há o desejo físico e
psicológico de continuar o relacionamento.
3 – SSI é imposta.
Pois, mesmo sabendo-se das conseqüências
ruins, continua-se o incentivo para o ato de fumar. Fábricas significam
empregos em diversos setores da economia, significam impostos, significa muita
gente envolvida na cadeia produtiva, de logística e propaganda. Estas coisas
geram bolsos cheios de “dindin” à custa da miséria alheia. Posso disser também que
é imposta pela dependência física e psicológica. É irônico, mas é bem assim ....
Márcio era hebreu e na jovialidade dos
seus 25 anos, já havia morado em um kibutz (um tipo de acampamento judaico http://pt.wikipedia.org/wiki/Kibbutzim ) em
Israel, e já havia morado nos Estados
Unidos. Nos contava suas impressões sobre esses lugares e algumas aventuras
vividas por estas paragens.
Bem, o ano era 1978.
Veja alguns fatos
da época.
1 - 28 de março:
O presidente dos Estados Unidos, Jimmy Carter, faz sua visita de três dias ao
Brasil e é o quinto presidente norte-americano a visitar ao país.
2 - 8 de julho:
Um incêndio destrói o acervo do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.
3 - 4 de agosto:
Presidente Ernesto Geisel assina o decreto-lei, que proíbe greve nos setores de
segurança nacional e serviços públicos
em todo o país.
4 - 13 de
outubro: O Congresso Nacional do Brasil promulga a Emenda Constitucional n° 11,
que extingue o Ato Institucional n° 5.
5 - 14 de
outubro: Aberto o canal de desvio do Rio Paraná para permitir o arranque das
obras da usina hidroelétrica de Itaipu.
6 - 16 de
outubro: General João Batista Figueiredo é eleito presidente do Brasil pelo
colégio eleitoral.
7 - 27 de
outubro: A Justiça responsabiliza a União pela morte do jornalista Vladimir
Herzog, ocorrida nas dependências do DOI-CODI.
8 - 27 de
dezembro: Entra em vigor a nova Lei de Segurança Nacional.
9 - 29 de
dezembro: Presidente João Figueiredo assina o decreto que revoga o banimento de
122 brasileiros e extingue a Comissão Geral de Investigações.
Vivíamos um período de transição
conturbado (alguns querendo esconder os mandos e desmandos e outros querendo
descobrir). Nesta época um contingente
militar invadiu a faculdade em que eu estudava, não sei por que, só sei que eu
estava no banheiro e escutei o corre-corre ........
Era assim, o ambiente universitário era
vigiado. Havia passeatas dos estudantes
em protesto contra a Ditadura Militar. Era um momento
de crises político-sócio-econômicas.
Lembro-me de um fraseado de nosso principal governante: - "Eu prendo e
arrebento".
Durante os bate-papos de hora de almoço,
alguém comentou sobre um livro chamado "1984" de George Orwell. Era
um livro difícil de se encontrar, lê-lo era
meio-que-proibido, uma literatura não recomendada para o momento histórico que vivíamos....
. Falava sobre um "Grande Irmão"
que espionava e controlava a vida dos pobres habitantes do território
imaginário criado por George Orwell .... Bem, li. Tenho o livro, ele está em
algum lugar de minha humilde residência.
Posso narrar mais alguma coisa sobre o
enredo, mas não o farei .....( http://pt.wikipedia.org/wiki/Nineteen_Eighty-Four )
Nos dias de hoje, espionar as mazelas da
miserável condição dos relacionamentos humanos virou programa de grande
audiência em várias emissoras de TV.
Foi nessa época que sofri um acidente de
moto quando me dirigia ao lugar onde eu dava aulas (bem isto fica para uma
outra vez)....!
PS.
"Neologismo"
Beijo pouco, falo menos
ainda
Mas, invento palavras
Que traduzem a ternura mais
funda
E mais cotidiana
Inventei, por exemplo, o
verbo teadorar
Intransitivo;
Teadoro, Teodora.
Abraços.
Emildo Avelar
Gama.
FOI ASSIM Release 1.2
É possível um pombo ter
superstição? A superstição humana é um fenômeno complexo e sua história de
desenvolvimento na vida das pessoas ainda não é compreendida. A despeito da
complexidade, os fenômenos, ou aspectos deles, tem sido investigados pelos cientistas
por meio de modelos animais. Skinner chegou a estudar o efeito da liberação de
alimento em intervalos de tempo fixo e variável em pombos. Independente do que
os pombos fizessem em uma caixa, um alimento era liberado e o pombo podia então
consumi-lo. Ele observou que os pombos, durante algum tempo passavam a se
comportar como se a comida estivesse associada ao que eles estavam fazendo. Um
dos pombos passou a mover a cabeça para um lado e para o outro, enquanto outro
dava voltas na gaiola, e assim por diante.
Skinner
chamou esse padrão de comportamento supersticioso. Seus trabalhos foram
pioneiros nesta área e impactantes para toda uma geração de pesquisas sobre superstição
na psicologia experimental. Burrhus Frederic Skinner.
Eu estava na parte mais alta de uma
torre de pedra. De pé à beira do
pináculo minha visão era muito precisa
. Apreciei um céu azul com algumas nuvens que passavam placidamente, o vento
era muito suave. Havia um lago em uma
piscina de pedra bem aos pés da torre, o vento soprava suas águas límpidas que
formavam pequenas ondas, elas batiam nas margens e retornavam encontrando-se com as novas ondas formadas
pela brisa suave. O dia estava
gloriosamente aprazível. Abri meus
braços, olhei para eles e percebi que as penas estavam nascendo . Elas não
haviam se desenvolvido plenamente ainda, algumas eram apenas penugens de cores azuladas claras , outras mostravam um
desenvolvimento vigoroso e um dia seriam penas magníficas. Foi assim, com essas imagens do sonho, que acordei
depois de dias na UTI em coma
induzido, após o infarto.
“Há certos eventos que não percebemos de
modo consciente; eles permanecem, por assim dizer, abaixo do limite da
consciência. Eles aconteceram, mas foram absorvidos de maneira
subliminar.” Carl
Jung.
A palavra “subliminar” vem do latim e significa
“abaixo do limite”. Os psicólogos a empregam para se referir ao que está abaixo
do limite da consciência.. Para entender verdadeiramente a experiência humana, precisamos
compreender tanto nosso consciente quanto nosso inconsciente e como os dois interagem.
Nosso cérebro subliminar é invisível
para nós, porém influencia nossa experiência consciente do mundo de um modo
fundamental – a maneira como nos vemos e aos outros, o significado que atribuímos
aos eventos da nossa vida cotidiana, nossa capacidade de fazer julgamentos
rápidos e tomar decisões que às vezes significam a diferença entre a vida e a
morte, as ações que adotamos como resultado de todas essas experiências
instintivas.
Leonard Mlodinow.
Um conjunto de eventos se alinhou de forma tal que me deram mais uma
oportunidade .:
- O amor de minha família me conduziu rapidamente
ao Hospital , a triagem percebeu que o meu caso era grave , o médico
plantonista coincidentemente era um cardiologista e me atendeu prontamente , existia um leito
disponível no momento, existia uma vaga na
UTI, os enfermeiros me vigiaram
para acompanhar e corrigir , quando preciso, o processo de recuperação, os atendentes
trocaram minhas roupas e limparam meu corpo e
me alimentaram, a lavanderia proveu roupas limpas para a troca diária , a cozinha proveu o necessário para alimentação , o ambiente era higienizado com freqüência
, médicos diariamente passavam e
observavam minha ficha de acompanhamento, pediam novos exames quando
necessários , receitavam este ou aquele remédio que era ministrado na quantidade e hora certa. O alinhamento dos eventos perceptíveis foram muitos , me perdoem os amigos que permaneceram invisíveis
e não foram mencionados pela minha capacidade de observação limitada.
Penso que a Administração Hospitalar funcionou adequadamente ......
Tudo isso ali, naquele
que atende muitas pessoas e que e
às vezes pede para a família do paciente
comprar um remédio que não está disponível no estoque e é necessário para uma melhor recuperação do
doente, naquele que muitas vezes não existem leitos para atender a todos , naquele
em que os leitos ficam espalhados pelos corredores, naquele em que mendigos maltrapilhos mal-cheirosos vencidos pelas agruras da vida se sentam no
banco de espera e ficam até o momento em que o cansaço e a fraqueza os vencem e eles caem para dentro do hospital.
Eles sabem que serão atendidos , receberão
um banho, uma cama e alimento, o tratamento médico vem depois , naquele em que
a proatividade , resiliência, boa vontade e por que não dizer amor superam em muito as impossibilidades .......
Pensei
muito sobre isso. Sei que os sonhos são
apenas projeções de nossa mente inconsciente tentando se comunicar com a
parte consciente, um tipo de oficina de manutenção do hardware e software.
Sei que algo
resolveu me atualizar para uma versão mais
nova aproveitando o hardware
barrigudo e fora de forma.
Agradecimentos a todos.
Abraços.
Emildo Avelar Gama.
A Árvore
– Release 1.3
Era muito bom caminhar por aquela rua,
a calçada era larga, o local era
tranqüilo. O andar deveria ser lento para podermos apreciar a beleza da
paisagem. Lembro-me que em um
determinado trecho havia um pequeno muro não muito alto, mas muito longo. A finalidade do muro não era esconder, mas
demarcar os limites entre a calçada e o imenso e verdejante jardim de grama bem
aparada. Era fácil ultrapassar os limites do muro e seguir por um dos vários pequenos
caminhos pavimentados, não existiam placas escritas: não ultrapasse o muro, proibido pisar na
grama, siga por aqui ou ainda, siga por ali. Sempre preferi seguir por um caminho que me levava ao centro. Lá havia uma grande árvore.
Na rua não havia movimento de tipo algum, me parece
que o local fora feito mesmo para um boa e tranqüila caminhada, aquelas em
que a mente vagueia distraída e os sentidos percebem os sons, as imagens e
o ambiente meio que no automático . Se aparecesse alguém a gente levaria um
susto.
Eu ouvia uma
música suave, ainda não descobri a origem dela, não importa, ela complementava
o passeio e o tornava sempre mais agradável. Talvez outra pessoa passeasse por
ali e levasse seu instrumento musical e exercitasse suas habilidades, o
ambiente era propício para isso. Deviam ser várias pessoas, pois era uma sinfonia composta por muitos instrumentos. Uma
hora encontro o caminho que me levará a elas, ou elas me encontrarão pelo caminho
.........
O fato é que um
dia, numa dessas caminhadas eu estava com muita fome e sede, parecia que fazia uma semana que eu não comia nem bebia nada. Como sempre,
escolhi o caminho que me levava ao centro, em direção à árvore.
Ao chegar lá, percebi que ali, bem no alto, estava
a solução para a minha fome e sede de
desesperado: avistei uma fruta e, como não havia placas de proibido subir nem de proibido comer, resolvi me aventurar na
escalada como uma criança que sobe num pé de goiaba para pegar algum fruto.
A escalada prosseguiu bem. Pensei : - Logo vou alcançar o meu objetivo, porém,
quanto mais eu subia, mais os galhos da árvore afinavam. Em determinado momento
fiquei desconsolado pois comecei a
perceber que o que de início fora uma boa idéia, agora se mostrava
impraticável, se eu prosseguisse o galho afinaria mais e quebraria. O resultado de cair daquela altura era
previsível. Fome e sede me fustigavam e
agora a frustração de não pegar a fruta, me incomodava um pouco mais. Procurei encontrar uma solução para o impasse, talvez se eu cutucasse a
fruta com um galho ela cairia, eu desceria e a pegaria, mas observando a fruta
notei que ela parecia ser muito suculenta e macia e se caísse ela se despedaçaria e eu continuaria com fome
e sede. Não, essa não era a resposta , talvez se eu dobrasse o galho onde a fruta estava, já que ele era fino, eu a
apanharia, mas meus braços não a alcançariam, talvez se eu quebrasse o galho eu
a traria para minhas mãos, mas o galho não era tão fino assim pois ele ainda
suportava o peso do meu corpo, talvez se eu balançasse o galho e a fruta caísse
eu a pegaria no ar, a possibilidade de isso dar certo era mínima, eu estava
ficando sem opções e a fome e a sede me fustigavam mais e mais, ficava cada vez
mais difícil pensar e encontrar a resposta. A pressão era muita e no momento
meu equilíbrio emocional já se fora fazia algum tempo. Bem, o jeito era descer
e pensar mais calmamente como resolver isso. Essa foi a melhor maneira que
encontrei no momento. Estava decidido, eu iria descer e pensar mais calmamente.
Meu tempo de passeio estava se esgotando, eu teria de retornar para o lugar de
onde eu viera. Caramba , eu retornaria com fome e sede.
Fazer o que, o jeito era descer e ir embora.
Lá pelo meio da descida encontrei um galho
atravessado no galho em que eu ia descendo, parecia que o galho aparecera por
ali , eu não me lembro dele enquanto subia, penso que não prestei muita
atenção, pois o galho não poderia ter aparecido do nada, o fato era que ele
estava ali , na pressa e na ânsia de matar minha fome e sede não percebi, mas
ele estava ali o tempo todo. Resolvi descer por aquele novo galho, simplesmente
por que ele estava ali o tempo todo e eu
não o havia percebido.
Aquele galho me levou a uma outra árvore carregada
com os mesmos frutos daquela em que eu estivera
ainda a pouco. Macios, suculentos. Comi muito, muito, muito. Eles eram
macios e suculentos. Fiquei saciado, a ponto
de minha barriga estufar.

Quando retornei ao lugar de onde eu partira para
meu passeio habitual, não sentia mais fome e sede alguma . Não almocei nem jantei, naquele dia eu estava saciado .....
Abraços.
Emildo Avelar Gama.
Aos Mestres - Release 1.3
Na parede em frente às mesas havia um
quadro. A tarefa era bem simples, cada um tinha que dizer que cores viam, que
figuras, e se elas formavam objetos. Era moleza, era só falar.... Um sinal sonoro, um intervalo de 15 minutos. Recreio.
Correr, pular, brincar e suar. Suar bastante. Voltar.
Aprendemos que no quadro haviam cores - verde,
branco, azul, amarelo - que haviam figuras geométricas - retângulo, losango, círculo
e uma pequena faixa branca ....
As mesinhas eram organizadas em fileiras e
colunas 4 x 3 no total 12. Uma mesinha e
uma cadeira para cada criança. Em frente às mesinhas uma mesa e uma cadeira um
pouco maiores, ali ficava a “profa”. Três janelas amplas do lado esquerdo da
sala davam luminosidade e arejavam o ambiente, mostravam também um pátio
retangular onde existia uma palmeira plantada quase encostada ao muro que
circundava toda a escola. Haviam muitas
outras salas mais nenhuma delas possuía uma paisagem igual ao da minha janela. Uma
palmeira da qual se via apenas o tronco.
No caminho de volta para casa expliquei ao
meu avô que a gente vivia em um quadrado cheio de mato verde e que dentro do
quadrado havia um losango todo feito de ouro e dentro do losango tinha uma bola
que era o céu e nele tinha estrelas e uma ponte que a gente atravessava em fila
e dava tudo certo. Bem , me lembro que ele sorriu e disse que as coisas eram
mais ou menos assim....
Se alguém tentar te convencer disto ou
daquilo você deve primeiro duvidar e depois deve tentar entender e compreender
suas idéias.
Introduzindo um certo fator mutagênico na
cadeia cromossômica, o DNA sofre uma
alteração em suas bases, passam a produzir proteínas em espiral em vez de
cadeias protéicas lineares, os telomeros replicam com exatidão a nova seqüência
genética. As novas cadeias protéicas ficam com a mesma massa e ocupam os mesmos espaços físicos das cadeias
anteriores porém produzem uma resposta qualitativa e quantitativa
superior. Engendramos
a
síndrome das proteínas espiraladas, nunca mais haverá hipertrofias, distrofias ou insuficiências cardíacas. Este é meu legado para a posteridade....
Lembro-me que em meu oitavo aniversário
ganhei um quebra-cabeças gigante de 10.000 peças e que meu avô fizera uma mesa
onde pusera um tabuleiro de mais ou menos 1 x 1 metro , onde a gente ia aos
poucos juntando as peças. Aos domingos, pela manhã depois de correr e brincar.
Um banho, uma roupa limpa, um café farto e outra atividade. Durante certo
período, era quase sempre assim nos finais de semana, buscávamos as peças, experimentávamos,
por vezes elas se encaixavam, mas as
cores e figuras não se correspondiam portanto a peça não era a certa então nova
busca pela peça perfeita ....
Aprendi paciência, atenção e persistência e
que certas coisas são feitas aos poucos, elas estão ali é só descobrir onde
estão e juntar...
O
quadro agora era diferente, era uma paisagem com árvores e um lago onde alguém estava dentro de
um barquinho e esse alguém pescava. Era
moleza, era só falar.... Lá no
finalzinho do lago tinha uma estradinha meio torta que levava quase até porta
de uma casinha e em frente à casinha tinha um montão de cores, cores que eram
flores.... .
Aprendi que misturando tintas podíamos
inventar novas cores.
Percebemos que no quadro chovia um pouco e
as gotas d’água formavam círculos onde caíam, os galhos das arvores estavam um
pouco curvados e as folhas estavam agitadas porque ventava, e que agora na
superfície do lago tinha umas ondas, mas ventava pouco porque o homem de chapéu
continuava a pescar sossegado. Percebemos
que no lago tinha umas imagens das árvores de cabeça para baixo, o pescador e o
barco também estavam de cabeça para baixo. A superfície do lago era como um
espelho....
Vi que na casinha tinha uma vovó e que ela
esperava o pescador trazer o peixe para ela fritar e almoçarem todos juntos com a criança que brincava lá no
chão montando um quebra-cabeças...
Contei para meu avô.
No caminho de volta para casa também expliquei
a ele de um quadro que contava uma estória de um lugar lindo e um pescador que pescava. Perguntei a ele como um cego poderia ver um
quadro. Lembro que ele parou, me olhou com um brilho úmido dentro dos olhos e
respondeu . – Bem, penso que ele faz como você quando viu a
vovó e a criança que brincava dentro da casa ....
Abraços.
Emildo Avelar Gama.
Poças D’água - Release 1.0
.......pular nas pequenas poças d’água que se
formavam na calçada , chutar uma pequena pedra , ou meter uma bica numa
tampinha de garrafa e vê-la titilando rodopiar para longe , fazia parte
do caminhar rumo à escola, ela não era muito distante do consultório
médico onde minha mãe trabalhava e eu já tinha idade suficiente
para ir sozinho. Eu estudava no período da
manhã e ao retornar da escola – por volta de meio-dia – , ficava ali até a hora dela fechar o consultório e irmos para casa.
O sapato
de couro preto, as meias brancas, o calção azul marinho, a camisa branca de
mangas curtas, a pequena gravata azul marinho, o distintivo com o nome da
escola que era preso habilmente por um alfinete no bolso da camisa, uma blusa
de lã azul marinho, faziam parte do uniforme escolar ......
Certa vez,
enquanto papai dava uma engraxada nos meus sapatos comentou com
mamãe que não sabia porque eles duravam tão pouco - penso que ele sabia
sim – eu estava ali perto e entendi muito bem que o assunto era dirigido
a mim. Nessa época os sapatos eram muito caros e nosso dinheiro era pouco. Sim,
entendi o recado. Poças d’água, pequenas pedras, tampinhas de garrafa e
tudo que fosse chutável eram iguais a sapatos esfolados .......
Papai alugara um pequeno quarto nos fundos de um
bar e ali montara sua oficina, o lugar era estratégico, os usuários do
local quando sentiam necessidade de usar as instalações sanitárias
que também ficavam lá nos fundos, descobriam que ali havia uma “lojinha”
de consertos de eletrodomésticos, isso era bom para o proprietário do bar e
também para meu pai. Falando sinceramente o lugar não era bom, mas o
preço barato do aluguel transformava o laboratório de consertos do
“Doutor Frankenstein” um sonho realizável. Ele tinha muita
habilidade para consertar ferros de passar roupa, liquidificadores,
rádios, vitrolas, radinhos de pilha e televisores, que além de caros eram
muito raros, essas coisas valiam a pena serem consertadas. Lá em
uma das paredes havia um cartaz com letras grandes que diziam.: - Aparelhos
consertados serão mantidos guardados apenas por um mês ..... A oficina era
pequena e algumas pessoas simplesmente não retiravam seus aparelhos, era
necessário para os negócios manter algumas regras. As habilidades dele iam além
dos aparelhos domésticos, ele entendia de instalações elétricas, mecânica de
máquinas pesadas e além de excelente motorista, é claro, era meu melhor amigo.
Uma instalação aqui outra ali ou um aparelho para consertar, era assim
que ele mantinha a família.....
( http://pt.wikipedia.org/wiki/Frankenstein )
Nossos recursos
financeiros eram parcos, por isso mamãe foi trabalhar naquele consultório
médico. Era sempre a primeira a chegar, abria o consultório limpava as salas, higienizava os equipamentos e utensílios de trabalho, organizava e atualizava a agenda do médico quanto
às consultas e retornos, ligava para os pacientes relembrando-os das consultas
, recebia os valores das mesmas , controlava um pequeno estoque de materiais de limpeza e gêneros
alimentícios, servia pequenos lanches, cafezinho, chás ou suco , mantinha as
contas de água, luz, gás, condomínio em dia e ao final do expediente quase
sempre fechava o consultório.
Era ali que eu ficava após a aula até a
hora de irmos para casa .....
Abraço. Emildo Avelar Gama.
Folhas - Release 1.0
Ás vezes enquanto caminho, sigo
orando em baixo tom para não chamar a atenção, quem vê pode até pensar
que sou desvairado pois imagino que pensam que falo sozinho. Ontem uma criança
talvez de 4 ou 5 anos que brincava na calçada com umas folhas que a seringueira
lhe havia presenteado me ofertou uma delas, era tudo que ela tinha e partilhou
comigo, uma folha de seringueira amarelada.....
Agradeci a ela com oque eu tinha também para ofertar. Uma bênção e o meu melhor
sorriso.....
Guardei a folha no bolso e segui a caminhada, orando em baixo tom para
não chamar a atenção ....
Abraço.
Emildo Avelar Gama.
Palavras – Release 1.0
Uma letra,
outra letra,
mais uma letra,
assim vão se formando as palavras.
Palavras são como
elos de uma corrente,
Os elos vão se unindo transformando-se em mágica .
Unem ou separam conforme o mágico.
Não sei se objeto se transforma em palavra
ou se palavra se transforma em objeto.
Sei que nas mãos de letrados ignorantes transformam-se em
armas.
Usadas para humilhar
e magoar, ferem e matam.
Aqui não existe rima nem métrica.
Não estou fazendo apologia a
um idioma mal falado
Mas é preciso saber
que nem todos tiveram a mesma oportunidade.
Talvez o que exista aqui,
Seja apenas uma certa sonoridade.
É certo que em determinados momentos é preciso formalidade,
mas convenhamos o nosso idioma possui
cerca de 435.000 mil palavras se
considerarmos os termos técnicos aumentam
para umas 550.000 mil ,o que o transforma em terreno pantanoso mesmo para os
esmiuçadores de textos.
De qualquer forma sejamos diplomáticos ......
Ref.: John Robert Schmitz
Abraço.
Emildo
Avelar Gama.
Tempo – Release 1.1
- Chame seu aplicativo e veja que horas são.
Não tem aparelho móbile? Mas sabe que horas são ? Não?
Então pergunte a alguém.
- Conseguiu saber que horas
são?? A pessoa que passou perto de você
disse que eram 9:52. Que coisa hemmm e nem agradeceu néh??
- Faltam 8minutos para as 10 horas? Aproveite, você tem mais oito minutos de sol
!!!
Não se preocupe , nada
aconterá a você, eu o protegerei . Tá pensando que estou brincando néh, sou um maluco . Humm, resolveu participar da
brincadeira, levar a conversa adiante,
com louco é melhor não contrariar.. KKKKKK. Como é que sei disso?? Ora, o evento já
aconteceu ou seja o sol já apagou , ele está 8
minutos em seu passado. Está bem , vou acendê-lo de novo e vou permitir que
você conte a outros o que aconteceu.
Hehehehe...
- Caraca, meu Deus o sol
piscou!! Mas quem é você afinal ?!
- Sou o que Sou. Saberá o que
houve e contará a outros.... mas não saberá o porquê ....
Abraço.
Emildo Avelar Gama.
Camila
– Release 1.0
As
outras crianças riam do meu nome, achavam estranho e isso era motivo de
gargalhadas e chacotas rotineiras.
Um dia Camila explicou para a sala o que meu nome significava ....
Começou assim : - Nossa esse é o nome mais lindo que já vi, significa : - O senhor do lar abençoado ama Deus. Camila , minha professora de português, ficou
tão grande que quase não cabia em meu coração ....
Abraço.
Emildo
Avelar Gama.
A Peça - release 1.1
O autor foi muito feliz em escrever aquela peça, fazia um sucesso tremendo, tanto é que era representada pelo grupo de atores quatro vezes ao dia. Pela manhã era destinada às crianças, a tarde para os adolescentes, no princípio da noite para jovens adultos e já bem tarde da noite para adultos mais maduros, sempre com os diálogos adaptados de acordo com a faixa etária. A cada 15 dias era representada uma só vez durante o princípio da noite com os diálogos e interpretações mais densas, para um público especial.
A peça era sempre a mesma com vantagem que se podia escolher o horário que mais se adequava à pessoa. Pela manhã, de tarde, no princípio da noite , um pouco mais tarde ou uma apresentação especial para um público diferenciado , a cada 15 dias .............
Abraço.
Emildo Avelar Gama.
Contos Tupiniquins ....
Origem do Povo Tupiniquim -
release 2.0
Ao entrar ali na agência de viagens e ver no elaborado cartaz a linda paisagem, um misto de tesão e curiosidade invadira sua mente, quebrando o condicionamento de anos de prática de auto-controle planejado. O efeito causado pelo marketing e propaganda fizera bem o trabalho e já o estava dominando. Como ser motivado por mensagens visuais, tornou-se prioridade em sua vida conhecer aquele lugar, mas antes era preciso conhecer um pouco da vida e história daquelas paragens alienígenas .....
No mundo alternativo XX a
sagrada Araponga Dourada pousou sobre a terra e a terra era terra roxa
e da terra nasceu Jaci . As plantas, as árvores,
os animais, os peixes e tudo em todas as
direções à sua volta lhe pertenciam
. Jaci andava nua pela floresta . No princípio isso era bom mas com o
passar dos dias Jaci começou a se sentir sozinha e isso a entristecia. Um
dia enquanto Jaci dormia a Araponga Dourada penalizada com sua solidão atendeu aos seus anseios , soprou seu ventre e dele nasceu Peri . Qual
não foi a sua surpresa ao acordar e ver alguém ali ao seu
lado. Enfim não estava só, agora havia Peri para
partilhar da floresta e então Jaci agradeceu à Araponga Dourada . Jaci e Peri andavam nus pela
floresta.
Peri às
vezes passeava sozinho e investigava, tudo que encontrava
entregava para Jaci. Certa vez encontrou uma planta que nunca havia
visto e ao
cavar a terra para arrancá-la e levá-la para Jaci encontrou a mandioca e então resolveu levar apenas a raiz para sua companheira . Ali não se sabe de onde surgiu um bicho estranho e Peri com o espírito
investigativo que a Araponga Dourada o privilegiara perseguiu o animal pensando em capturá-lo e levá-lo também para Jaci – hoje
é meu dia de sorte – , mas a Aranha Cabeluda
era rápida e ardilosa e sempre que Peri se aproximava com a mandioca
na mão a Aranha Cabeluda corria e se escondia até que Peri cansado da
perseguição adormeceu por ali segurando a raiz
que pretendia levar para Jaci. Jaci o
encontrou assim , meio adormecido com a mandioca na mão e enquanto o observava a Aranha Cabeluda apareceu e disse para ela: - Jaci , acorde Peri e prove a raiz proibida e ela tentada acordou Peri e então provou da
mandioca. A
partir desse dia a Araponga Dourada criou inimizade entre Jaci e a Aranha Cabeluda
e expulsou Jaci e Peri da floresta e
decretou: Andarão pelo mundo e gerarão o povo tupiniquim. ......
Um guia turístico bem remunerado ajudaria bem .....
Trecho extraído do Vaso de Cerâmica Sagrado Tupiniquim
Encontrado por arqueólogos do Antigo Império em 5732
A.F
nota do autor. Tenho certeza que se Mário de Andrade aqui estivesse, faria Macunaíma – Um herói sem nenhum caráter – transitar de maneira muito mais brilhante, elegante e literária pelos Contos Tupiniquins do que este torturado pseudo-literato que aqui vos fala.
Abraço.
Emildo Avelar Gama.
Atenção ao golpe proposto na calada da noite por meio de decreto !
Estratégia Nestoriana - Release 1.0
Quando o palco estiver armado deve-se exibir para o adversário as melhores armas e o orador deve exaltar as qualidades de seu exército e incitá-los para a batalha. À frente colocam-se os carros de batalha fortemente escudados e armados, atrás desses deve vir a infantaria com os mais valentes e fortes, no meio devem vir os covardes porque quando estiverem cercados e não tiverem mais opções lutarão pela própria vida , atrás de tudo isso estarão um pequeno grupo de conselheiros e o “sacana general ” , que em caso de derrota fará acordo com o inimigo . Homéro , escritor grego - século VII a.C - ,deu vida ao seu personagem Nestor transformando-o no mais brilhante estrategista da época. A Ilíada é um poema épico grego que narra os acontecimentos ocorridos no período de pouco mais de 50 dias durante o décimo e último ano da Guerra de Tróia.
Muito da estratégia Nestoriana é empregada nos tempos contemporâneos , nos mais variados setores da sociedade ......
Abraço.
Emildo Avelar Gama
Aguarde atualizações...
Reminiscências Release 1.2
Márcio era um amigo de serviço e durante
os bate-papos de hora de almoço e as paradas eventuais para um "último
cigarro" nos relatava que estava sentindo uma dificuldade enorme para
parar de fumar. Nos contava que acordava tremendo e sentia uma necessidade
incontrolável de fumar mais um. O
cigarro fazia parte do cotidiano de Márcio, muito embora ele estivesse
determinado a quebrar esta simbiose-sádico-imposta.
Neologismo é o processo de criação de
novas palavras. Criei essa: -
SSI (Simbiose-Sádico-Imposta).
1 –
SSI é mutante.
Possui um gene lingüístico que a partir do momento em que a gente percebe que o ato de fumar retira mais do que doa ele se ativa e SSI transforma-se em PSI (Parasitose-Sádico-Imposta).
Possui um gene lingüístico que a partir do momento em que a gente percebe que o ato de fumar retira mais do que doa ele se ativa e SSI transforma-se em PSI (Parasitose-Sádico-Imposta).
2 – SSI é sádica.
Pois, a parte envolvida sofre conseqüências ruins (o hospedeiro tem muitas chances de morrer de alguma enfermidade relacionada ao ato de fumar), mesmo assim há o desejo físico e psicológico de continuar o relacionamento.
Pois, a parte envolvida sofre conseqüências ruins (o hospedeiro tem muitas chances de morrer de alguma enfermidade relacionada ao ato de fumar), mesmo assim há o desejo físico e psicológico de continuar o relacionamento.
3 – SSI é imposta.
Pois, mesmo sabendo-se das conseqüências ruins, continua-se o incentivo para o ato de fumar. Fábricas significam empregos em diversos setores da economia, significam impostos, significa muita gente envolvida na cadeia produtiva, de logística e propaganda. Estas coisas geram bolsos cheios de “dindin” à custa da miséria alheia. Posso disser também que é imposta pela dependência física e psicológica. É irônico, mas é bem assim ....
Pois, mesmo sabendo-se das conseqüências ruins, continua-se o incentivo para o ato de fumar. Fábricas significam empregos em diversos setores da economia, significam impostos, significa muita gente envolvida na cadeia produtiva, de logística e propaganda. Estas coisas geram bolsos cheios de “dindin” à custa da miséria alheia. Posso disser também que é imposta pela dependência física e psicológica. É irônico, mas é bem assim ....
Márcio era hebreu e na jovialidade dos
seus 25 anos, já havia morado em um kibutz (um tipo de acampamento judaico http://pt.wikipedia.org/wiki/Kibbutzim ) em
Israel, e já havia morado nos Estados
Unidos. Nos contava suas impressões sobre esses lugares e algumas aventuras
vividas por estas paragens.
Bem, o ano era 1978.
Veja alguns fatos
da época.
1 - 28 de março:
O presidente dos Estados Unidos, Jimmy Carter, faz sua visita de três dias ao
Brasil e é o quinto presidente norte-americano a visitar ao país.
2 - 8 de julho:
Um incêndio destrói o acervo do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.
3 - 4 de agosto:
Presidente Ernesto Geisel assina o decreto-lei, que proíbe greve nos setores de
segurança nacional e serviços públicos
em todo o país.
4 - 13 de
outubro: O Congresso Nacional do Brasil promulga a Emenda Constitucional n° 11,
que extingue o Ato Institucional n° 5.
5 - 14 de
outubro: Aberto o canal de desvio do Rio Paraná para permitir o arranque das
obras da usina hidroelétrica de Itaipu.
6 - 16 de
outubro: General João Batista Figueiredo é eleito presidente do Brasil pelo
colégio eleitoral.
7 - 27 de
outubro: A Justiça responsabiliza a União pela morte do jornalista Vladimir
Herzog, ocorrida nas dependências do DOI-CODI.
8 - 27 de
dezembro: Entra em vigor a nova Lei de Segurança Nacional.
9 - 29 de
dezembro: Presidente João Figueiredo assina o decreto que revoga o banimento de
122 brasileiros e extingue a Comissão Geral de Investigações.
Vivíamos um período de transição
conturbado (alguns querendo esconder os mandos e desmandos e outros querendo
descobrir). Nesta época um contingente
militar invadiu a faculdade em que eu estudava, não sei por que, só sei que eu
estava no banheiro e escutei o corre-corre ........
Era assim, o ambiente universitário era
vigiado. Havia passeatas dos estudantes
em protesto contra a Ditadura Militar. Era um momento
de crises político-sócio-econômicas.
Lembro-me de um fraseado de nosso principal governante: - "Eu prendo e
arrebento".
Durante os bate-papos de hora de almoço,
alguém comentou sobre um livro chamado "1984" de George Orwell. Era
um livro difícil de se encontrar, lê-lo era
meio-que-proibido, uma literatura não recomendada para o momento histórico que vivíamos....
. Falava sobre um "Grande Irmão"
que espionava e controlava a vida dos pobres habitantes do território
imaginário criado por George Orwell .... Bem, li. Tenho o livro, ele está em
algum lugar de minha humilde residência.
Posso narrar mais alguma coisa sobre o
enredo, mas não o farei .....( http://pt.wikipedia.org/wiki/Nineteen_Eighty-Four )
Nos dias de hoje, espionar as mazelas da
miserável condição dos relacionamentos humanos virou programa de grande
audiência em várias emissoras de TV.
Foi nessa época que sofri um acidente de
moto quando me dirigia ao lugar onde eu dava aulas (bem isto fica para uma
outra vez)....!
FOI ASSIM Release 1.2
É possível um pombo ter
superstição? A superstição humana é um fenômeno complexo e sua história de
desenvolvimento na vida das pessoas ainda não é compreendida. A despeito da
complexidade, os fenômenos, ou aspectos deles, tem sido investigados pelos cientistas
por meio de modelos animais. Skinner chegou a estudar o efeito da liberação de
alimento em intervalos de tempo fixo e variável em pombos. Independente do que
os pombos fizessem em uma caixa, um alimento era liberado e o pombo podia então
consumi-lo. Ele observou que os pombos, durante algum tempo passavam a se
comportar como se a comida estivesse associada ao que eles estavam fazendo. Um
dos pombos passou a mover a cabeça para um lado e para o outro, enquanto outro
dava voltas na gaiola, e assim por diante.
Skinner
chamou esse padrão de comportamento supersticioso. Seus trabalhos foram
pioneiros nesta área e impactantes para toda uma geração de pesquisas sobre superstição
na psicologia experimental. Burrhus Frederic Skinner.
Eu estava na parte mais alta de uma
torre de pedra. De pé à beira do
pináculo minha visão era muito precisa
. Apreciei um céu azul com algumas nuvens que passavam placidamente, o vento
era muito suave. Havia um lago em uma
piscina de pedra bem aos pés da torre, o vento soprava suas águas límpidas que
formavam pequenas ondas, elas batiam nas margens e retornavam encontrando-se com as novas ondas formadas
pela brisa suave. O dia estava
gloriosamente aprazível. Abri meus
braços, olhei para eles e percebi que as penas estavam nascendo . Elas não
haviam se desenvolvido plenamente ainda, algumas eram apenas penugens de cores azuladas claras , outras mostravam um
desenvolvimento vigoroso e um dia seriam penas magníficas. Foi assim, com essas imagens do sonho, que acordei
depois de dias na UTI em coma
induzido, após o infarto.
“Há certos eventos que não percebemos de
modo consciente; eles permanecem, por assim dizer, abaixo do limite da
consciência. Eles aconteceram, mas foram absorvidos de maneira
subliminar.” Carl
Jung.
A palavra “subliminar” vem do latim e significa
“abaixo do limite”. Os psicólogos a empregam para se referir ao que está abaixo
do limite da consciência.. Para entender verdadeiramente a experiência humana, precisamos
compreender tanto nosso consciente quanto nosso inconsciente e como os dois interagem.
Nosso cérebro subliminar é invisível
para nós, porém influencia nossa experiência consciente do mundo de um modo
fundamental – a maneira como nos vemos e aos outros, o significado que atribuímos
aos eventos da nossa vida cotidiana, nossa capacidade de fazer julgamentos
rápidos e tomar decisões que às vezes significam a diferença entre a vida e a
morte, as ações que adotamos como resultado de todas essas experiências
instintivas.
Leonard Mlodinow.
Um conjunto de eventos se alinhou de forma tal que me deram mais uma oportunidade .:
Leonard Mlodinow.
Um conjunto de eventos se alinhou de forma tal que me deram mais uma oportunidade .:
- O amor de minha família me conduziu rapidamente
ao Hospital , a triagem percebeu que o meu caso era grave , o médico
plantonista coincidentemente era um cardiologista e me atendeu prontamente , existia um leito
disponível no momento, existia uma vaga na
UTI, os enfermeiros me vigiaram
para acompanhar e corrigir , quando preciso, o processo de recuperação, os atendentes
trocaram minhas roupas e limparam meu corpo e
me alimentaram, a lavanderia proveu roupas limpas para a troca diária , a cozinha proveu o necessário para alimentação , o ambiente era higienizado com freqüência
, médicos diariamente passavam e
observavam minha ficha de acompanhamento, pediam novos exames quando
necessários , receitavam este ou aquele remédio que era ministrado na quantidade e hora certa. O alinhamento dos eventos perceptíveis foram muitos , me perdoem os amigos que permaneceram invisíveis
e não foram mencionados pela minha capacidade de observação limitada.
Penso que a Administração Hospitalar funcionou adequadamente ......
Pensei
muito sobre isso. Sei que os sonhos são
apenas projeções de nossa mente inconsciente tentando se comunicar com a
parte consciente, um tipo de oficina de manutenção do hardware e software.
Sei que algo
resolveu me atualizar para uma versão mais
nova aproveitando o hardware
barrigudo e fora de forma.
|
|
Agradecimentos a todos.
Abraços.
Emildo Avelar Gama.
Era muito bom caminhar por aquela rua, a calçada era larga, o local era tranqüilo. O andar deveria ser lento para podermos apreciar a beleza da paisagem. Lembro-me que em um determinado trecho havia um pequeno muro não muito alto, mas muito longo. A finalidade do muro não era esconder, mas demarcar os limites entre a calçada e o imenso e verdejante jardim de grama bem aparada. Era fácil ultrapassar os limites do muro e seguir por um dos vários pequenos caminhos pavimentados, não existiam placas escritas: não ultrapasse o muro, proibido pisar na grama, siga por aqui ou ainda, siga por ali. Sempre preferi seguir por um caminho que me levava ao centro. Lá havia uma grande árvore.

Quando retornei ao lugar de onde eu partira para meu passeio habitual, não sentia mais fome e sede alguma . Não almocei nem jantei, naquele dia eu estava saciado .....
Na parede em frente às mesas havia um quadro. A tarefa era bem simples, cada um tinha que dizer que cores viam, que figuras, e se elas formavam objetos. Era moleza, era só falar.... Um sinal sonoro, um intervalo de 15 minutos. Recreio. Correr, pular, brincar e suar. Suar bastante. Voltar.
Introduzindo um certo fator mutagênico na
cadeia cromossômica, o DNA sofre uma
alteração em suas bases, passam a produzir proteínas em espiral em vez de
cadeias protéicas lineares, os telomeros replicam com exatidão a nova seqüência
genética. As novas cadeias protéicas ficam com a mesma massa e ocupam os mesmos espaços físicos das cadeias
anteriores porém produzem uma resposta qualitativa e quantitativa
superior. Engendramos
A Árvore
– Release 1.3
Era muito bom caminhar por aquela rua, a calçada era larga, o local era tranqüilo. O andar deveria ser lento para podermos apreciar a beleza da paisagem. Lembro-me que em um determinado trecho havia um pequeno muro não muito alto, mas muito longo. A finalidade do muro não era esconder, mas demarcar os limites entre a calçada e o imenso e verdejante jardim de grama bem aparada. Era fácil ultrapassar os limites do muro e seguir por um dos vários pequenos caminhos pavimentados, não existiam placas escritas: não ultrapasse o muro, proibido pisar na grama, siga por aqui ou ainda, siga por ali. Sempre preferi seguir por um caminho que me levava ao centro. Lá havia uma grande árvore.
Na rua não havia movimento de tipo algum, me parece
que o local fora feito mesmo para um boa e tranqüila caminhada, aquelas em
que a mente vagueia distraída e os sentidos percebem os sons, as imagens e
o ambiente meio que no automático . Se aparecesse alguém a gente levaria um
susto.
Eu ouvia uma
música suave, ainda não descobri a origem dela, não importa, ela complementava
o passeio e o tornava sempre mais agradável. Talvez outra pessoa passeasse por
ali e levasse seu instrumento musical e exercitasse suas habilidades, o
ambiente era propício para isso. Deviam ser várias pessoas, pois era uma sinfonia composta por muitos instrumentos. Uma
hora encontro o caminho que me levará a elas, ou elas me encontrarão pelo caminho
.........
O fato é que um
dia, numa dessas caminhadas eu estava com muita fome e sede, parecia que fazia uma semana que eu não comia nem bebia nada. Como sempre,
escolhi o caminho que me levava ao centro, em direção à árvore.
Ao chegar lá, percebi que ali, bem no alto, estava
a solução para a minha fome e sede de
desesperado: avistei uma fruta e, como não havia placas de proibido subir nem de proibido comer, resolvi me aventurar na
escalada como uma criança que sobe num pé de goiaba para pegar algum fruto.
A escalada prosseguiu bem. Pensei : - Logo vou alcançar o meu objetivo, porém,
quanto mais eu subia, mais os galhos da árvore afinavam. Em determinado momento
fiquei desconsolado pois comecei a
perceber que o que de início fora uma boa idéia, agora se mostrava
impraticável, se eu prosseguisse o galho afinaria mais e quebraria. O resultado de cair daquela altura era
previsível. Fome e sede me fustigavam e
agora a frustração de não pegar a fruta, me incomodava um pouco mais. Procurei encontrar uma solução para o impasse, talvez se eu cutucasse a
fruta com um galho ela cairia, eu desceria e a pegaria, mas observando a fruta
notei que ela parecia ser muito suculenta e macia e se caísse ela se despedaçaria e eu continuaria com fome
e sede. Não, essa não era a resposta , talvez se eu dobrasse o galho onde a fruta estava, já que ele era fino, eu a
apanharia, mas meus braços não a alcançariam, talvez se eu quebrasse o galho eu
a traria para minhas mãos, mas o galho não era tão fino assim pois ele ainda
suportava o peso do meu corpo, talvez se eu balançasse o galho e a fruta caísse
eu a pegaria no ar, a possibilidade de isso dar certo era mínima, eu estava
ficando sem opções e a fome e a sede me fustigavam mais e mais, ficava cada vez
mais difícil pensar e encontrar a resposta. A pressão era muita e no momento
meu equilíbrio emocional já se fora fazia algum tempo. Bem, o jeito era descer
e pensar mais calmamente como resolver isso. Essa foi a melhor maneira que
encontrei no momento. Estava decidido, eu iria descer e pensar mais calmamente.
Meu tempo de passeio estava se esgotando, eu teria de retornar para o lugar de
onde eu viera. Caramba , eu retornaria com fome e sede.
Fazer o que, o jeito era descer e ir embora.
Lá pelo meio da descida encontrei um galho
atravessado no galho em que eu ia descendo, parecia que o galho aparecera por
ali , eu não me lembro dele enquanto subia, penso que não prestei muita
atenção, pois o galho não poderia ter aparecido do nada, o fato era que ele
estava ali , na pressa e na ânsia de matar minha fome e sede não percebi, mas
ele estava ali o tempo todo. Resolvi descer por aquele novo galho, simplesmente
por que ele estava ali o tempo todo e eu
não o havia percebido.
Aquele galho me levou a uma outra árvore carregada
com os mesmos frutos daquela em que eu estivera
ainda a pouco. Macios, suculentos. Comi muito, muito, muito. Eles eram
macios e suculentos. Fiquei saciado, a ponto
de minha barriga estufar.

Quando retornei ao lugar de onde eu partira para meu passeio habitual, não sentia mais fome e sede alguma . Não almocei nem jantei, naquele dia eu estava saciado .....
Abraços.
Emildo Avelar Gama.
Aos Mestres - Release 1.3
Na parede em frente às mesas havia um quadro. A tarefa era bem simples, cada um tinha que dizer que cores viam, que figuras, e se elas formavam objetos. Era moleza, era só falar.... Um sinal sonoro, um intervalo de 15 minutos. Recreio. Correr, pular, brincar e suar. Suar bastante. Voltar.
Aprendemos que no quadro haviam cores - verde,
branco, azul, amarelo - que haviam figuras geométricas - retângulo, losango, círculo
e uma pequena faixa branca ....
As mesinhas eram organizadas em fileiras e
colunas 4 x 3 no total 12. Uma mesinha e
uma cadeira para cada criança. Em frente às mesinhas uma mesa e uma cadeira um
pouco maiores, ali ficava a “profa”. Três janelas amplas do lado esquerdo da
sala davam luminosidade e arejavam o ambiente, mostravam também um pátio
retangular onde existia uma palmeira plantada quase encostada ao muro que
circundava toda a escola. Haviam muitas
outras salas mais nenhuma delas possuía uma paisagem igual ao da minha janela. Uma
palmeira da qual se via apenas o tronco.
No caminho de volta para casa expliquei ao
meu avô que a gente vivia em um quadrado cheio de mato verde e que dentro do
quadrado havia um losango todo feito de ouro e dentro do losango tinha uma bola
que era o céu e nele tinha estrelas e uma ponte que a gente atravessava em fila
e dava tudo certo. Bem , me lembro que ele sorriu e disse que as coisas eram
mais ou menos assim....
Se alguém tentar te convencer disto ou
daquilo você deve primeiro duvidar e depois deve tentar entender e compreender
suas idéias.
Introduzindo um certo fator mutagênico na
cadeia cromossômica, o DNA sofre uma
alteração em suas bases, passam a produzir proteínas em espiral em vez de
cadeias protéicas lineares, os telomeros replicam com exatidão a nova seqüência
genética. As novas cadeias protéicas ficam com a mesma massa e ocupam os mesmos espaços físicos das cadeias
anteriores porém produzem uma resposta qualitativa e quantitativa
superior. Engendramos
a
síndrome das proteínas espiraladas, nunca mais haverá hipertrofias, distrofias ou insuficiências cardíacas. Este é meu legado para a posteridade....
Lembro-me que em meu oitavo aniversário
ganhei um quebra-cabeças gigante de 10.000 peças e que meu avô fizera uma mesa
onde pusera um tabuleiro de mais ou menos 1 x 1 metro , onde a gente ia aos
poucos juntando as peças. Aos domingos, pela manhã depois de correr e brincar.
Um banho, uma roupa limpa, um café farto e outra atividade. Durante certo
período, era quase sempre assim nos finais de semana, buscávamos as peças, experimentávamos,
por vezes elas se encaixavam, mas as
cores e figuras não se correspondiam portanto a peça não era a certa então nova
busca pela peça perfeita ....
Aprendi paciência, atenção e persistência e
que certas coisas são feitas aos poucos, elas estão ali é só descobrir onde
estão e juntar...
O
quadro agora era diferente, era uma paisagem com árvores e um lago onde alguém estava dentro de
um barquinho e esse alguém pescava. Era
moleza, era só falar.... Lá no
finalzinho do lago tinha uma estradinha meio torta que levava quase até porta
de uma casinha e em frente à casinha tinha um montão de cores, cores que eram
flores.... .
Aprendi que misturando tintas podíamos
inventar novas cores.
Percebemos que no quadro chovia um pouco e
as gotas d’água formavam círculos onde caíam, os galhos das arvores estavam um
pouco curvados e as folhas estavam agitadas porque ventava, e que agora na
superfície do lago tinha umas ondas, mas ventava pouco porque o homem de chapéu
continuava a pescar sossegado. Percebemos
que no lago tinha umas imagens das árvores de cabeça para baixo, o pescador e o
barco também estavam de cabeça para baixo. A superfície do lago era como um
espelho....
Vi que na casinha tinha uma vovó e que ela
esperava o pescador trazer o peixe para ela fritar e almoçarem todos juntos com a criança que brincava lá no
chão montando um quebra-cabeças...
Contei para meu avô.
No caminho de volta para casa também expliquei
a ele de um quadro que contava uma estória de um lugar lindo e um pescador que pescava. Perguntei a ele como um cego poderia ver um
quadro. Lembro que ele parou, me olhou com um brilho úmido dentro dos olhos e
respondeu . – Bem, penso que ele faz como você quando viu a
vovó e a criança que brincava dentro da casa ....
Abraços.
Emildo Avelar Gama.
Poças D’água - Release 1.0
.......pular nas pequenas poças d’água que se
formavam na calçada , chutar uma pequena pedra , ou meter uma bica numa
tampinha de garrafa e vê-la titilando rodopiar para longe , fazia parte
do caminhar rumo à escola, ela não era muito distante do consultório
médico onde minha mãe trabalhava e eu já tinha idade suficiente
para ir sozinho. Eu estudava no período da
manhã e ao retornar da escola – por volta de meio-dia – , ficava ali até a hora dela fechar o consultório e irmos para casa.
O sapato de couro preto, as meias brancas, o calção azul marinho, a camisa branca de mangas curtas, a pequena gravata azul marinho, o distintivo com o nome da escola que era preso habilmente por um alfinete no bolso da camisa, uma blusa de lã azul marinho, faziam parte do uniforme escolar ......
Certa vez, enquanto papai dava uma engraxada nos meus sapatos comentou com mamãe que não sabia porque eles duravam tão pouco - penso que ele sabia sim – eu estava ali perto e entendi muito bem que o assunto era dirigido a mim. Nessa época os sapatos eram muito caros e nosso dinheiro era pouco. Sim, entendi o recado. Poças d’água, pequenas pedras, tampinhas de garrafa e tudo que fosse chutável eram iguais a sapatos esfolados .......
Papai alugara um pequeno quarto nos fundos de um bar e ali montara sua oficina, o lugar era estratégico, os usuários do local quando sentiam necessidade de usar as instalações sanitárias que também ficavam lá nos fundos, descobriam que ali havia uma “lojinha” de consertos de eletrodomésticos, isso era bom para o proprietário do bar e também para meu pai. Falando sinceramente o lugar não era bom, mas o preço barato do aluguel transformava o laboratório de consertos do “Doutor Frankenstein” um sonho realizável. Ele tinha muita habilidade para consertar ferros de passar roupa, liquidificadores, rádios, vitrolas, radinhos de pilha e televisores, que além de caros eram muito raros, essas coisas valiam a pena serem consertadas. Lá em uma das paredes havia um cartaz com letras grandes que diziam.: - Aparelhos consertados serão mantidos guardados apenas por um mês ..... A oficina era pequena e algumas pessoas simplesmente não retiravam seus aparelhos, era necessário para os negócios manter algumas regras. As habilidades dele iam além dos aparelhos domésticos, ele entendia de instalações elétricas, mecânica de máquinas pesadas e além de excelente motorista, é claro, era meu melhor amigo. Uma instalação aqui outra ali ou um aparelho para consertar, era assim que ele mantinha a família.....
( http://pt.wikipedia.org/wiki/Frankenstein )
Era ali que eu ficava após a aula até a
hora de irmos para casa .....
Abraço. Emildo Avelar Gama.
nota do autor. Tenho certeza que se Mário de Andrade aqui estivesse, faria Macunaíma – Um herói sem nenhum caráter – transitar de maneira muito mais brilhante, elegante e literária pelos Contos Tupiniquins do que este torturado pseudo-literato que aqui vos fala.
Abraço.
Emildo Avelar Gama.
Atenção ao golpe proposto na calada da noite por meio de decreto !
Estratégia Nestoriana - Release 1.0
Quando o palco estiver armado deve-se exibir para o adversário as melhores armas e o orador deve exaltar as qualidades de seu exército e incitá-los para a batalha. À frente colocam-se os carros de batalha fortemente escudados e armados, atrás desses deve vir a infantaria com os mais valentes e fortes, no meio devem vir os covardes porque quando estiverem cercados e não tiverem mais opções lutarão pela própria vida , atrás de tudo isso estarão um pequeno grupo de conselheiros e o “sacana general ” , que em caso de derrota fará acordo com o inimigo . Homéro , escritor grego - século VII a.C - ,deu vida ao seu personagem Nestor transformando-o no mais brilhante estrategista da época. A Ilíada é um poema épico grego que narra os acontecimentos ocorridos no período de pouco mais de 50 dias durante o décimo e último ano da Guerra de Tróia.
Muito da estratégia Nestoriana é empregada nos tempos contemporâneos , nos mais variados setores da sociedade ......
Abraço.
Emildo Avelar Gama
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O sapato de couro preto, as meias brancas, o calção azul marinho, a camisa branca de mangas curtas, a pequena gravata azul marinho, o distintivo com o nome da escola que era preso habilmente por um alfinete no bolso da camisa, uma blusa de lã azul marinho, faziam parte do uniforme escolar ......
Certa vez, enquanto papai dava uma engraxada nos meus sapatos comentou com mamãe que não sabia porque eles duravam tão pouco - penso que ele sabia sim – eu estava ali perto e entendi muito bem que o assunto era dirigido a mim. Nessa época os sapatos eram muito caros e nosso dinheiro era pouco. Sim, entendi o recado. Poças d’água, pequenas pedras, tampinhas de garrafa e tudo que fosse chutável eram iguais a sapatos esfolados .......
Papai alugara um pequeno quarto nos fundos de um bar e ali montara sua oficina, o lugar era estratégico, os usuários do local quando sentiam necessidade de usar as instalações sanitárias que também ficavam lá nos fundos, descobriam que ali havia uma “lojinha” de consertos de eletrodomésticos, isso era bom para o proprietário do bar e também para meu pai. Falando sinceramente o lugar não era bom, mas o preço barato do aluguel transformava o laboratório de consertos do “Doutor Frankenstein” um sonho realizável. Ele tinha muita habilidade para consertar ferros de passar roupa, liquidificadores, rádios, vitrolas, radinhos de pilha e televisores, que além de caros eram muito raros, essas coisas valiam a pena serem consertadas. Lá em uma das paredes havia um cartaz com letras grandes que diziam.: - Aparelhos consertados serão mantidos guardados apenas por um mês ..... A oficina era pequena e algumas pessoas simplesmente não retiravam seus aparelhos, era necessário para os negócios manter algumas regras. As habilidades dele iam além dos aparelhos domésticos, ele entendia de instalações elétricas, mecânica de máquinas pesadas e além de excelente motorista, é claro, era meu melhor amigo. Uma instalação aqui outra ali ou um aparelho para consertar, era assim que ele mantinha a família.....
( http://pt.wikipedia.org/wiki/Frankenstein )
Nossos recursos
financeiros eram parcos, por isso mamãe foi trabalhar naquele consultório
médico. Era sempre a primeira a chegar, abria o consultório limpava as salas, higienizava os equipamentos e utensílios de trabalho, organizava e atualizava a agenda do médico quanto
às consultas e retornos, ligava para os pacientes relembrando-os das consultas
, recebia os valores das mesmas , controlava um pequeno estoque de materiais de limpeza e gêneros
alimentícios, servia pequenos lanches, cafezinho, chás ou suco , mantinha as
contas de água, luz, gás, condomínio em dia e ao final do expediente quase
sempre fechava o consultório.
Abraço. Emildo Avelar Gama.
Folhas - Release 1.0
Ás vezes enquanto caminho, sigo
orando em baixo tom para não chamar a atenção, quem vê pode até pensar
que sou desvairado pois imagino que pensam que falo sozinho. Ontem uma criança
talvez de 4 ou 5 anos que brincava na calçada com umas folhas que a seringueira
lhe havia presenteado me ofertou uma delas, era tudo que ela tinha e partilhou
comigo, uma folha de seringueira amarelada.....
Agradeci a ela com oque eu tinha também para ofertar. Uma bênção e o meu melhor sorriso.....
Guardei a folha no bolso e segui a caminhada, orando em baixo tom para não chamar a atenção ....
Agradeci a ela com oque eu tinha também para ofertar. Uma bênção e o meu melhor sorriso.....
Guardei a folha no bolso e segui a caminhada, orando em baixo tom para não chamar a atenção ....
Abraço.
Emildo Avelar Gama.
Palavras – Release 1.0
Uma letra,
outra letra,
mais uma letra,
assim vão se formando as palavras.
Palavras são como
elos de uma corrente,
Os elos vão se unindo transformando-se em mágica .
Unem ou separam conforme o mágico.
Não sei se objeto se transforma em palavra
ou se palavra se transforma em objeto.
Sei que nas mãos de letrados ignorantes transformam-se em
armas.
Usadas para humilhar
e magoar, ferem e matam.
Aqui não existe rima nem métrica.
Não estou fazendo apologia a
um idioma mal falado
Mas é preciso saber
que nem todos tiveram a mesma oportunidade.
Talvez o que exista aqui,
Seja apenas uma certa sonoridade.
É certo que em determinados momentos é preciso formalidade,
mas convenhamos o nosso idioma possui
cerca de 435.000 mil palavras se
considerarmos os termos técnicos aumentam
para umas 550.000 mil ,o que o transforma em terreno pantanoso mesmo para os
esmiuçadores de textos.
De qualquer forma sejamos diplomáticos ......
Ref.: John Robert Schmitz
Abraço.
Emildo
Avelar Gama.
Tempo – Release 1.1
- Chame seu aplicativo e veja que horas são.
Não tem aparelho móbile? Mas sabe que horas são ? Não?
Então pergunte a alguém.
- Conseguiu saber que horas
são?? A pessoa que passou perto de você
disse que eram 9:52. Que coisa hemmm e nem agradeceu néh??
- Faltam 8minutos para as 10 horas? Aproveite, você tem mais oito minutos de sol
!!!
Não se preocupe , nada
aconterá a você, eu o protegerei . Tá pensando que estou brincando néh, sou um maluco . Humm, resolveu participar da
brincadeira, levar a conversa adiante,
com louco é melhor não contrariar.. KKKKKK. Como é que sei disso?? Ora, o evento já
aconteceu ou seja o sol já apagou , ele está 8
minutos em seu passado. Está bem , vou acendê-lo de novo e vou permitir que
você conte a outros o que aconteceu.
Hehehehe...
- Caraca, meu Deus o sol
piscou!! Mas quem é você afinal ?!
- Sou o que Sou. Saberá o que
houve e contará a outros.... mas não saberá o porquê ....
Abraço.
Emildo Avelar Gama.
Camila – Release 1.0
Abraço.
Emildo Avelar Gama.
Camila – Release 1.0
As
outras crianças riam do meu nome, achavam estranho e isso era motivo de
gargalhadas e chacotas rotineiras.
Um dia Camila explicou para a sala o que meu nome significava ....
Começou assim : - Nossa esse é o nome mais lindo que já vi, significa : - O senhor do lar abençoado ama Deus. Camila , minha professora de português, ficou
tão grande que quase não cabia em meu coração ....
Abraço.
Emildo
Avelar Gama.
A Peça - release 1.1
O autor foi muito feliz em escrever aquela peça, fazia um sucesso tremendo, tanto é que era representada pelo grupo de atores quatro vezes ao dia. Pela manhã era destinada às crianças, a tarde para os adolescentes, no princípio da noite para jovens adultos e já bem tarde da noite para adultos mais maduros, sempre com os diálogos adaptados de acordo com a faixa etária. A cada 15 dias era representada uma só vez durante o princípio da noite com os diálogos e interpretações mais densas, para um público especial.
A peça era sempre a mesma com vantagem que se podia escolher o horário que mais se adequava à pessoa. Pela manhã, de tarde, no princípio da noite , um pouco mais tarde ou uma apresentação especial para um público diferenciado , a cada 15 dias .............
A peça era sempre a mesma com vantagem que se podia escolher o horário que mais se adequava à pessoa. Pela manhã, de tarde, no princípio da noite , um pouco mais tarde ou uma apresentação especial para um público diferenciado , a cada 15 dias .............
Abraço.
Emildo Avelar Gama.
Contos Tupiniquins ....
Origem do Povo Tupiniquim - release 2.0
Ao entrar ali na agência de viagens e ver no elaborado cartaz a linda paisagem, um misto de tesão e curiosidade invadira sua mente, quebrando o condicionamento de anos de prática de auto-controle planejado. O efeito causado pelo marketing e propaganda fizera bem o trabalho e já o estava dominando. Como ser motivado por mensagens visuais, tornou-se prioridade em sua vida conhecer aquele lugar, mas antes era preciso conhecer um pouco da vida e história daquelas paragens alienígenas .....
No mundo alternativo XX a
sagrada Araponga Dourada pousou sobre a terra e a terra era terra roxa
e da terra nasceu Jaci . As plantas, as árvores,
os animais, os peixes e tudo em todas as
direções à sua volta lhe pertenciam
. Jaci andava nua pela floresta . No princípio isso era bom mas com o
passar dos dias Jaci começou a se sentir sozinha e isso a entristecia. Um
dia enquanto Jaci dormia a Araponga Dourada penalizada com sua solidão atendeu aos seus anseios , soprou seu ventre e dele nasceu Peri . Qual
não foi a sua surpresa ao acordar e ver alguém ali ao seu
lado. Enfim não estava só, agora havia Peri para
partilhar da floresta e então Jaci agradeceu à Araponga Dourada . Jaci e Peri andavam nus pela
floresta.
Peri às
vezes passeava sozinho e investigava, tudo que encontrava
entregava para Jaci. Certa vez encontrou uma planta que nunca havia
visto e ao
cavar a terra para arrancá-la e levá-la para Jaci encontrou a mandioca e então resolveu levar apenas a raiz para sua companheira . Ali não se sabe de onde surgiu um bicho estranho e Peri com o espírito
investigativo que a Araponga Dourada o privilegiara perseguiu o animal pensando em capturá-lo e levá-lo também para Jaci – hoje
é meu dia de sorte – , mas a Aranha Cabeluda
era rápida e ardilosa e sempre que Peri se aproximava com a mandioca
na mão a Aranha Cabeluda corria e se escondia até que Peri cansado da
perseguição adormeceu por ali segurando a raiz
que pretendia levar para Jaci. Jaci o
encontrou assim , meio adormecido com a mandioca na mão e enquanto o observava a Aranha Cabeluda apareceu e disse para ela: - Jaci , acorde Peri e prove a raiz proibida e ela tentada acordou Peri e então provou da
mandioca. A
partir desse dia a Araponga Dourada criou inimizade entre Jaci e a Aranha Cabeluda
e expulsou Jaci e Peri da floresta e
decretou: Andarão pelo mundo e gerarão o povo tupiniquim. ......
Um guia turístico bem remunerado ajudaria bem .....
Trecho extraído do Vaso de Cerâmica Sagrado Tupiniquim
Encontrado por arqueólogos do Antigo Império em 5732
A.Fnota do autor. Tenho certeza que se Mário de Andrade aqui estivesse, faria Macunaíma – Um herói sem nenhum caráter – transitar de maneira muito mais brilhante, elegante e literária pelos Contos Tupiniquins do que este torturado pseudo-literato que aqui vos fala.
Abraço.
Emildo Avelar Gama.
Atenção ao golpe proposto na calada da noite por meio de decreto !
Estratégia Nestoriana - Release 1.0
Quando o palco estiver armado deve-se exibir para o adversário as melhores armas e o orador deve exaltar as qualidades de seu exército e incitá-los para a batalha. À frente colocam-se os carros de batalha fortemente escudados e armados, atrás desses deve vir a infantaria com os mais valentes e fortes, no meio devem vir os covardes porque quando estiverem cercados e não tiverem mais opções lutarão pela própria vida , atrás de tudo isso estarão um pequeno grupo de conselheiros e o “sacana general ” , que em caso de derrota fará acordo com o inimigo . Homéro , escritor grego - século VII a.C - ,deu vida ao seu personagem Nestor transformando-o no mais brilhante estrategista da época. A Ilíada é um poema épico grego que narra os acontecimentos ocorridos no período de pouco mais de 50 dias durante o décimo e último ano da Guerra de Tróia.
Muito da estratégia Nestoriana é empregada nos tempos contemporâneos , nos mais variados setores da sociedade ......
Abraço.
Emildo Avelar Gama
Aguarde atualizações...





Emildo, bom dia
ResponderExcluirParabéns pelos textos.
Muito inspiradores.
Rodolfo
Bom dia, caro amigo.
ExcluirQue bom que você conseguiu acessar, grato pelos comentários. Penso que posso melhorar a apresentação estou pesquisando novos layouts e gadgets ......
Potrus, o centauro pediu para postar novamente a foto da Potranca. Quer saber quem é Potrus?? Hummm , então leia Artemis Fowl - O menino prodígio do crime – do autor irlandês EOIN COLFER...
ResponderExcluirCuidado o moleque tem 12 anos e é tipo James Bond, passa o rodo geral na bandidalha. Na estória tem fada, raios laser, troll, anão, água benta , mas vocês vão ter que procurar o PDF na NET.
PS. Caro Potrus enviarei a foto diretamente para seu e-mail....
Tive um amigo que tinha uma biblioteca enorme , ele às vezes tinha o costume de presentear amigos com livros, tive sorte ganhei um.....
Abraço.
Emildo Avelar Gama.